Os Mouros das Terras Encantadas

 
 
 
 

 

 

  O Monte Sagrado  

André, Rita, Ricardo e Sara regressam às Terras Encantadas para ajudar os mouros a impedir que a Espada de al-Khawf caia nas mãos dos tenebrosos Encobertos. No cenário majestoso dos castelos de Monsanto, Penha Garcia e Idanha-a-Velha, os quatro amigos sobrevivem a perigosas aventuras, enfrentando criaturas sinistras e violentas batalhas, que põem à prova a sua coragem.

Recorrendo aos estudos de Leite de Vasconcelos, Martins Sarmento e Consiglieri Pedroso, entre outros, Francisco Dionisio baseou-se em superstições e lendas portuguesas – bem como em alguns aspectos da história de Portugal – para conceber um mundo paralelo onde habitam seres aterradores, poderosos guerreiros e belas mouras encantadas.

 

 
 
 

 
 

O Monte Sagrado

 
 

Excerto de O MONTE SAGRADO

 

"O urro angustiante do asinomem deixou toda a aldeia em silêncio e, as pessoas que passeavam ali perto, mesmo sem conseguirem perceber o que acontecera naquela zona mal iluminada, calaram-se ao ouvir o grito  

            - Um asinomem – exclamou Rita.

            - O que foi que lhe fizeste? – perguntou André a Sara.

            Ela não respondeu. Não sabia o que responder. Já não estava tão tensa mas mantinha o olhar fixo no penedo por trás do qual aparecera a criatura, como se esperasse ver surgir algo mais.

            - Não foi ela – disse Ricardo.

O rapaz aproximou-se do corpo que estava tombado de bruços. Um corpo aberrante, de aspecto vagamente humano com pernas semelhantes às dos burros, ainda que mais fortes, mais musculadas; uma cabeça comprida onde se destacavam duas longas orelhas e os maxilares proeminentes. Nas costas, cobertas por um fino pelo cinzento, estavam cravadas duas flechas que, de tão juntas, dir-se-ia terem sido disparadas pelo mesmo arco, ao mesmo tempo.

   
 

A seguir afastou-se devido ao cheiro que o sangue do asinomem exalava e tentou perceber por que Sara ainda olhava para o penedo tão fixamente.

Nesse momento viram surgir, vindo de trás do rochedo, um homem com um arco na mão. Rita e André mantiveram-se atrás de Sara. Ricardo deu dois passos em direcção ao penedo, curioso.

O homem encaminhou-se para eles. Tinha o cabelo negro e solto, vestia umas calças verdes, largas, uma túnica azul e uma capa escura, que o protegia do ar fresco da noite. Quando a proximidade lhes permitiu distinguir-lhe o rosto, onde sobressaíam a barba bem aparada e os olhos penetrantes, foram assaltados por um misto de surpresa e contentamento por reconhecem Gamir Ibn Homatri."